Fui!

Atualizado: Jan 31

Levante a mão quem acordou com “poucas coisas” por resolver e só conseguiu se livrar delas 14 horas depois? Pois bem, não há pandemia que segure os boletos para pagar, o supermercado por fazer, o armário para instalar e os novos negócios por fechar. Sim, a situação de Manaus é dramática e só torna a ferida na qual se resume a gestão do Brasil cada vez maior e mais inflamada! E, não, não existe argumento que justifique o fato de pessoas morrerem por falta de oxigênio, quando estão hospitalizadas. Mas, por quê cruzo os dois assuntos assim, tão aleatoriamente e sem transição? Para mostrar que não há qualquer sentido banalizar o absurdo de uma situação como essa! Pois ela não cabe na sequência de trivialidades mencionadas no início desse texto. E, jamais deve ser vista como “parte do que acontece” por todos nós!

Não, não é humano permitir este absurdo! Não é razoável entender que isso é consequência da pandemia e de qualquer mutação do vírus! E, para completar, se torna muito emblemático o fato do estado do Amazonas passar por isso. Vejam, é justamente ali que há abundância de recursos naturais consumidos pela humanidade de forma predatória: água, “ar”, madeira e metais. Ironicamente, o tão devastado estado do Amazonas vê sua capital sem o básico para tratar seus doentes, que morrem em uma reedição tropical e perversa do que foi o Holocausto. No pulmão do mundo, muitos morrem sem ar...

Há meses, ordenaram a suspensão do combate às queimadas...Uma área maior que a Bélgica foi destruída, eliminando flora e fauna nativas. Mas, a sanha de alguns por exterminar seu próprio povo é tão grande que este episódio triste e vergonhoso não foi suficiente....Agora, vemos as pessoas morrerem pela ausência de um recurso tão simples, ao ponto da pobre Venezuela conseguir ofertar oxigênio aos doentes brasileiros, em outro lance que nos obriga a pensar sobre prioridades. Cada povo tem as suas. Quais são mesmo as do provo brasileiro? Acho que todos ainda consideram mais importante reafirmar a escolha que fizeram por meio das urnas, enquanto mais de 200 mil pessoas morrem da forma mais cruel!

O mais bizarro de tudo isso é o fato de muitas das pessoas que se dizem entristecidas pela situação não estabelecerem um nexo causal entre suas atitudes e o crescente número de infectados – em todos os lugares. Por exemplo, eu perdi a conta de pessoas que vi em fotografias bem amontoadas de gente e sem máscara, porque muitos simplesmente não conseguem deixar de celebrar Natal, Ano Novo e viagens em grupo, mesmo com leitos de hospitais cada vez mais tomados por doentes de COVID-19! E, mesmo entre os que abdicaram de viajar, há muitos que lotam o barzinho da esquina, no qual interagem sem máscaras, para comer e beber, em mesas vizinhas e quase coladas...

A propósito de tudo isso, li o desabafo de um médico exaurido por tentar explicar aos recém adoecidos que “reuniãozinha de famíla”, “festinha de aniversário”, “celebração de Natal”, “férias com a família, na praia” representam uma ameaça. Já que interagir sem máscara entre pessoas com as quais não morávamos antes da pandemia começar é o oposto de isolamento social. Pessoalmente, juro que é a última vez que uso este espaço para tocar neste ponto. Tenho para mim que a necessidade das pessoas em manterem suas rotinas, mesmo que isso custe a vida de muitas é algo correto, do ponto de vista ético, para muita gente. Então, quem sou eu para propor mudanças?! Só peço que me poupem de lágrimas de crocodilo, porque de nada ainda se dizer triste com o que ocorre em Manaus e tirar a máscara para tomar chopinho, fazer self de viagem com o grupinho, enquanto espalha o vírus pela ar!


A vacina vem aí! Mas não podemos nos fiar nisso! Afinal, não sabemos quando é o “dia D”, tampouco a “hora H”.

Fui!


Assim se sentiu - muito contrariada com a irresponsabilidade e mesquinhez da humanidade – e escreveu, com exclusividade, para a CLA Magazine, Raquel de Andrade



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