Uno

Havia gravado episódios do programa que apresento, para o mês inteiro, naquela tarde. Antes disso, soube que uma das convidadas não iria e, de última hora, precisei encontrar uma substituta. Trâmites de produção de TV, que acumulo, como efeito de ser parte de uma equipe ultra enxuta, composta por três pessoas. Com isso, é mais que natural também resolver questões de composição de figurino e adequação da imagem para vídeo, além do próprio trabalho jornalístico.


Foto: Cla Ribeiro

Por sorte e muito emprenho prévio, tivemos a felicidade de receber pessoas com histórias relevantes para contar! Quando isso acontece algo precioso brilha, é identificado e dá sentido à maratona empreendida em torno do trabalho. Ali, tive essa sensação! Iniciamos a série de gravações com o líder de um movimento que dá vida à premissa de cooperação, sustentabilidade e a coexistência cocriada, partilhada e abundante o bastante, para não confinar os ganhos apenas aos que estão diretamente envolvidos nele!

A cesta social é um produto que só cumpre o propósito de nutrir, porque engaja vinte e três famílias de pequenos agricultores, de quatro municípios paranaenses, enquanto cria uma forma inteligente de distribuir os alimentos destinados aos restaurantes e hotéis, fechados, contingenciados ou falidos, por conta da pandemia. Então, desde o início dela, seus gestores somam números que impressionam!


Foto: Cla Ribeiro

A quem quiser atribuir esses resultados estritamente à qualidade do alimento sinto informar que a primeira investida comercial em torno das mesma cestas foi frustrada. Além do encalhe de produto e do prejuízo gerado por isso a situação trouxe o entendimento claro de que o simples comércio das cestas de alimentos estancava o negócio no modelo superado, no qual o lucro não é partilhado social ou coletivamente, mas se concentra apenas entre os que fazem “parte dele”.


Foto: Cla Ribeiro

Mas, com a inclusão da política de doar uma cesta a cada cinco cestas vendidas o empreendimento experimentou um crescimento vertiginoso, ao ponto de ter conseguido doar 17 toneladas de alimentos, em apenas três meses de existência! Isso é revolucionário e, por uma série de motivos! Primeiro, por provar que é possível pensar e agir em prol do próximo, ao consumir, favorecer a própria saúde e priorizar alimentos sem pesticidas e agrotóxicos. Para completar, esse consumo também mantém viva a rede de agricultores familiares, que contribui para que a oferta de uma série de alimentos seja mantida, o que redunda em segurança alimentar e consumo sustentável.


Foto: Cla Ribeiro

Definitivamente, a pandemia também trouxe coisas boas! E a maior delas é conseguirmos levar para a prática o discurso que prega a interligação de pessoas. E, que devemos estabelecer práticas e um modo de vida mais cooperativo, no qual o senso de comunidade, solidariedade e bem comum pautam ou determinam o tipo de sociedade que vamos experimentar, daqui para a frente!

Seja parte desse progresso!


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