AC. DC.

Atualizado: Jan 31

Era verão, mas caia a noite e usávamos casacos leves. Estávamos em grupo e curtíamos um show intimista, com voz, violão e percussão, feito por um único artista. Ele contou com uma plateia típica de sexta-feira, além do reforço do seu grupo de amigos, do qual eu fazia parte. Estávamos à mesa, conversas e risadas se alternavam entre relatos de “causos”, situações que compõem a memória de um grupo. A música embalava instantes de silêncio ou intervalo. Havia risadas

Foto: Eduvem

Uma música pela qual eu estava apaixonada, ao ponto de ouvir mil vezes seguidas, me foi dedicada, publicamente, o que me deixou tímida, mas também enternecida. Agradeci com todo afeto que a inexistência no novo Sars Covid-19 permitia, entre o intervalo de um set musical e outro. Havia abraços

Era possível lotar o carro e dar carona aos amigos que tinham deixado seus próprios carros em casa, para beber cerveja com responsabilidade. Coisa que, hoje, seria, ainda assim, irresponsável, por conta do distanciamento. Havia a camaradagem, em seu formato original.

E o fim de semana continuava com o filme mais recente de Woody Allen, corremos para o cinema, assim como uma pequena multidão de pessoas. Havia interação para consumir cultura. O mesmo acontecia entre as tantas pessoas que acompanhavam um dos espetáculos de Natal, com um piano de calda e um coral compondo a trilha sonora. E nós estávamos lá também.

Mesmo quando havia tudo, a reunião entre muitos amigos, na casa de um deles, era a prioridade. E lá ficamos nós conversando noite a dentro, ao ponto de passarmos por assuntos que nem todos estavam confortáveis para falar. E, mesmo o desconforto de um virou motivo para aproximar dois. Companheirismo retribuído até em um evento corporativo, no qual, mesmo a trabalho, houve espaço para que aspectos da vida privada fossem acolhidos. Havia congraçamento.

Havia pai e mãe no setor de desembarque do aeroporto, abraços, nós três partilhando momentos felizes, conversas, refeições, ceia de Natal entre meus pais, muitos colegas, concerto de violão, grupo, harmonia. Mas, tudo ficou em suspenso. E até a missa de domingo, tal e qual era, se foi. Não há mais igreja lotada, nem saudação para “paz de cristo”, tampouco comunhão.

Há lembranças...



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