Consciência

O céu era cinza, mesmo assim mantinha a fé em dias melhores. Uma pandemia acontece a cada cem anos. Então, raramente a humanidade pode depreender lições de uma circunstância como esta. E, o que aprendi é que realmente precisamos uns dos outros, temos responsabilidades quanto a nós próprios e quanto aos demais, mas não temos qualquer controle em relação aos eventos externos e alheios à nossa própria vontade.

E, qual é a diferença entre a responsabilidade direta e o que está além de nós? Mesmo com quase 180 mil mortes decorrentes do covid-19 ainda não acolhemos o fato de que a propagação do vírus acontece por meio de um micro spray de saliva que - de tão leve – paira no ar e contamina os demais mesmo ao decorrer de algum tempo. O que nos leva a ver cenas diárias de pessoas tirando a máscara para comer e até ao entrarem em ambientes como cafés, bares e restaurantes, como se o vírus deixasse de existir ali dentro. Quando, na verdade, ele fica é mais abundante e concentrado nesses ambientes fechados e cheios de gente.



Isso, para não falar de quem simplesmente ignora a situação e não usa máscara! Como se só a própria vida estivesse em jogo, quando – na verdade – o assintomático também transmite o vírus capaz de matar. Por qual motivo entro neste mérito mesmo depois de tantos especialistas e algumas autoridades já terem reforçado este discurso? Porque o Natal vem aí e a vontade do brasileiro de se reunir é grande! As pessoas parecem não entender que isolamento social significa interação sem máscara apenas entre pessoas que já moravam juntas antes da pandemia começar. Então, uma reunião “de família” pode custar a própria vida ou a vida de quem mais amamos!

A despeito da recomendação da OMS - Organização Mundial de Saúde – ter desaconselhado até mesmo este tipo de reunião para celebrações de Natal e Ano Novo, já soube até de quem queira promover festa de réveillon mesmo depois de ter sido hospitalizado em função do COVID-19....A inconsequência é tão grande que chega a me dar raiva! Porque o indivíduo que está ali pode até não sofrer tanto com o adoecimento, mas e se ele transmitir a quem não tem a menor condição de resistir ao vírus?

A humanidade ainda não entendeu que de nada adiante chorar ou lamentar a morte das pessoas quando se mantém comportamentos potencialmente assassinos, como os que mencionei até aqui! E, é precisamente essa falta de consciência e senso de coletividade que me desapontam mais que tudo a partir do que acontece em decorrência desta pandemia.

Em contrapartida, há situações que revelam pessoas lindas em meio à tanta tristeza. Muitos são os casos de vizinhos que enviam comidas e procuram fazer pequenas gentilezas a quem adoece. O Whatsapp se converteu em uma verdadeira corrente de apoio mútuo, por meio da qual familiares e amigos tentam “se manter de pé”, apoiando quem precisa se curar e/ou se manter vigilante quanto ao tratamento de quem está internado. A mesma ferramenta, inclusive, garantiu o suporte médico que me foi dado por três especialistas diferentes, na ocasião do adoecimento, já superado com sucesso!


Enfim, distâncias e riscos são supridos pela tecnologia, ela também revelou nas redes sociais a imensa necessidade gregária da humanidade, ao ponto de criar um comportamento, um hábito e uma cultura de consumo de informação, trocada de forma absolutamente independente em relação às emissoras de TV e demais grandes empresas de comunicação.

Mais uma vez, vimos a humanidade reinventar a forma como consome e produz conteúdo, ao adquirir o hábito de ver ou promover lives, por exemplo. É verdade que muitas delas nos tiraram do nada e nos levaram para o lugar nenhum. Mas também é verdade que muita informação e reflexão relevante foi trocada e promovida. Que todos mantenham a centelha da independência para criar pontes e promover consciências!

Feliz Natal a cada um de vocês!


Assim se sentiu e escreveu Raquel de Andrade, com exclusividade, para a CLA Magazine.



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