Desconhecido

Atualizado: Out 4


As cigarras anunciavam uma virada no clima, que mais parecia o meu Rio de Janeiro, que a adotada e amada Curitiba. O calor não chegada a me perturbar, mas mudava tudo em minha rotina. Lençois no lugar de edredons, sandálias em vez de pantufas, saladas em detrimento de pratos caudalosos. Era estranho sair do inverno, mas era muito apaixonante usufruir da química do sol, astro rei brilhante, a irradiar bem-estar, luz e alegria!

Havia preparado a pauta da entrevista, para a transmissão ao vivo que faríamos na noite seguinte. Tipo de trabalho que sempre amei e me dei como prêmio depois de encarar negociações comerciais e outras etapas que nada tem a ver com o jornalismo, mas são necessárias para a roda comercial do negócio girar. Mapear empresas, localizar gestores, estudar estratégias, criar abordagens, falar de números, ouvir não, plantar sim, lembrar do negócio fechado, fazer lobby, entregar o que foi contratado.


Casa dos Focas

São tantas as atividades que precisamos assumir para que o negócio não suma que quando chegamos aos finalmentes, às tarefas jornalísticas, propriamente ditas, me sinto como quem vai se esbaldar na Disney! Por isso, escrevo essas linhas pouco antes de dormir, mas feliz da vida! Acredito que, por razões parecidas, o colega de profissão que entrevistaremos adiantou que seu sonho é morrer praticando o jornalismo!

Vejam, ele já faz isso há 46 anos! Se mantém absolutamente produtivo, tem um acervo invejável, virou uma espécie de google regional, aplicado aos líderes locais, além de ser partidário de maior representatividade feminina no meio corporativo e político, ao ponto de criar colunas que só noticiam mulheres de atividades relevantes para a coletividade. Eu mesma tive a honra de ter tido a minha carreira repercutida por ele, em uma de suas matérias alusivas à atuação feminina.

Nem preciso dizer do quanto estou alegre pela transmissão ao vivo que faremos em torno dele! Conversar com quem acompanhou tantas coisas de perto e se mantém aberto ao novo é uma lição de vida! Do mesmo modo, também me surpreendo com a tranquilidade que percebo em outros perfis que se tornam ainda mais experientes. No último domingo, minha mãe completou setenta anos e lhe perguntei como era chegar a este número. De pronto e sem qualquer afetação ela disse: “É como fazer sessenta”, entregando o humor afiado, além de capacidade e desejo de viver muito e bem, assim como de se surpreender com o tanto que a vida e o mundo ainda podem lhe render!


Juk Business & News

Todas essas percepções juntas culminam com a minha curiosidade sobre a conjuntura do meu próprio futuro, como viverei quando estiver experiente e o que farei para chegar a este ponto bem. Por agora, ficam as certezas de que me sinto muito mais jovem que aos vinte anos, também me sinto mais feliz comigo mesma, embora já lide com alguns sinais de que os quarenta se aproximam. Fui orientada a ingerir mais proteínas, para manter e criar músculos, me livrei do açúcar, manteiga, requeijão, pão industrializado e carro em excesso. Passei a andar de tênis, levando comigo um par de sapatos de salto na bolsa, mas ainda acho que tudo isso é “só” parte do movimento que tem de ser feito para cruzar a vida com leveza.

Na realidade, penso que os pesos mortos a serem deixados para trás tem origem emocional, moral e psicológica. Então, hoje, me apresso em tirar da vida tudo e todos que me fazem mal. Não estou dizendo que beltrano é ruim ou fulano não presta! Apenas entendendo que há pessoas, circunstâncias, empregos, trabalhos, meios, cidades e culturas que nos limitam ao invés de nos expandirem.



Fiep

Entendo que devemos fluir rumo ao nosso pleno desenvolvimento! Isso demanda análise, desprendimento, gratidão e coragem. Então, quando entendemos que algo ou alguém nos limita ao invés de nos expandir, devemos agradecer por tudo que aprendemos, ganhamos e deixamos ali, para partir, sem medo, rumo ao desconhecido! Quando deixei minha cidade não fazia ideia do que me esperava na capital paranaense. Mas, foi só o salto de fé que me fez voar para longe das certezas atrofiadoras. Óbvio que nem todas as experiências desde então foram estritamente felizes. Também lidei com dissabores, mas o balanço é tão compensador e positivo que só agradeço pela decisão! E ela foi só a primeira de muitas outras despedidas que contribuem para o meu desenvolvimento.

De que zona de conforto, hábito, pessoas, trabalho e circunstância você precisa se despedir, para buscar a sua expansão?



Assim se sentiu e escreveu, com exclusividade, para a Cla Magazine, Raquel de Andrade


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