Dever

“Você soube que fulano organizou uma festa de aniversário?”. A pergunta marcara um desabafo que ouvi, a partir de uma pessoa muito querida. Ela acabou conversando comigo porque ficou perplexa por saber de um culto que reuniu dois mil fieis na cidade onde vivo...Das pessoas comuns aos líderes religiosos a humanidade releva um instinto suicida e, ao mesmo tempo, assassino quando prefere se expor ao risco grande de contágio ao invés de renunciar a velhos hábitos e pequenos prazeres, para resguardar a própria vida, assim como a dos demais.



Diante disso, há um sentimento de impotência grande ao promover a reflexão, assim como chamar as pessoas à responsabilidade. Porque parece inútil. Mas não é! Tenho certeza que a situação seria ainda pior se deixássemos de encarar a situação com firmeza! Com o colapso do sistema de saúde se movimentar para mudar a visão e o comportamento das pessoas, através da reflexão parece uma piada. Mas, cada qual usa as armas ou os recursos que tem! Se você já se indispôs com um monte de gente para defender o óbvio não se arrependa! Ao fim, você fez o que devia e ainda se livrou de gente completamente irresponsável, para dizer o mínimo!

Chegamos a um ponto no qual tolerar quem tirar a máscara significa aceitar e promover a morte sem assistência médica e hospitalar, porque as reuniões ocorridas durante o Natal, Ano Novo, férias e Carnaval elevaram o contágio do vírus ao nível de UTIs funcionando com 110% de lotação. Sim, já começaram a adaptar enfermarias e corredores para tentar atender cada vez mais doentes. Acontece que o “jeitinho” tem limite. Até porque o oxigênio e os aparelhos também são limitados. Já tem gente sendo entubada em ambulância, onde permanece, como se aquilo fosse um quarto. Claramente, não há mais margem! Assim como também deve ser zero a nossa tolerância com quem insiste em banalizar a situação. Até porque já sabemos que ninguém adoece sozinho. Cada doente pode transmitir o vírus para mais de 100 pessoas.

Desde a interação mais próxima até o toque em um botão de elevador dão conta da transmissão. Então, se quisermos viver como antes teremos de nos resguardar como nunca! Esse não é mero jogo de palavras! É apenas uma forma de simplificar uma constatação da qual não podemos fugir! Agora há pouco li uma notícia dando conta do adoecimento da primeira vacinada do estado da Bahia. Mesmo com a primeira dose houve o contágio. Afinal, a vacina é poderosa, mas não é mágica! Outro dia, entrevistando um médico tive a confirmação de que as muitas mutações do vírus diminuem a efetividade da vacina. Sabe-se que quanto maior é a circulação das pessoas mais nocivas se tornam as novas cepas do vírus. Tanto assim que as notícias de adoecimento severo até mesmo dos mais jovens são cada vez mais frequentes. “Exames constataram comprometimento de 20% para 70% em espaço de 24 horas, em pessoa jovem”, relatou outro médico, aturdido pela situação!

Enfim, sobram fatos para provar que só cuidados redobrados podem determinar a manutenção de nossa vida e integridade. Qualquer deslize pode ser fatal neste momento. Então, pelo amor de Deus, enfrentem quem insistir em conversar em elevador, tirar a máscara ou usá-la expondo o nariz e, mais ainda, deem todos os foras em quem pirar e resolver promover festinha, reunião de família ou qualquer situação que leve pessoas que nem moravam juntas antes da pandemia começar à interação sem máscara! Até porque os cento e cinquenta mil reais pagos pelos religiosos que promoveram o tal culto de duas mil pessoas aglomeradas, sem qualquer respeito ao distanciamento de dois metros, não banca nem o custo de tratamento de três pessoas! O custo médio percapto de tratamento é de sessenta e oito mil reais, em rede privada. Ou seja, uma atitude irresponsável nunca terá punição capaz de cobrir o dano que causa, muito menos de repará-lo, já que nenhuma multa ressuscita pessoas!

Pare dentro de casa! Use o raio da máscara! Lave as suas mãos toda hora! Se você acha que a sua vida não vale esse esforço faça isso pelo entendimento que você não tem o direito de detonar a vida dos outros! E é isso que acontece quando deixamos de ter esses cuidados!


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