Entrevistas TOP 4 - Dr.Carlos Alonso



A gravidade da pandemia motivou o entrevistado desta edição da Top 4 a se voluntariar para o enfrentamento do covid-19, na China e em Curitiba, onde realiza detecção do virus em tempo real, com a metodologia mais segura e ágil. Confira a entrevista exclusiva concedida por Carlos Alonso, biólogo e mestre em Engenharia Genética pela Universidade de Cantabria Santander, Espanha, além de mestre em Genética pela UFPR.



Como sua carreira lhe trouxe ao COVID 19?


Maior explicação é a surpresa. Eu comecei a trabalhar em laboratórios há 40 anos atrás. Nunca iria imaginar que a liberdade de ir e vir das pessoas em todo o mundo tivesse um ponto marcante de limitação como esse, após o espalhamento do novo coronavirus pelo mundo. No início desses trabalhos em laboratório, ainda com 18 anos de idade, também nunca imaginei que iria mergulhar no mundo da biologia molecular, pois ela mal tinha suspiros de surgimento e expansão na ciência mundial. Sem aptidão à engenharia como era o sonho de meu pai, um dia carregando meus esquadros e regua T no colégio profissionalizante que estudava, aos 16 anos de idade, ao passer pelo laboratório de bioquímica que tinha a porta entreaberta e me entreter pelo brilho das vidrarias e seus liquidos coloridos espalhados pela bancada daquele laboratório, eu definí minha profissão. Desse momento em diante foi o vestibular, os estágios na Secretaria de Estado de Saúde, passage por todos os laboratórios existentes no LACEN, amigos, professors, incentivadores que permitiam que eu trabalhasse escondido por não ter como me contratar e tampouco me promover um salário, até chegar no Hospital de Clínicas e me deparar com o Serviço de Transplante de Medula óssea e o setor de Imunogenética. Foi meu trabalho mais gratificante no passado! Pessoas capacitadas, uma equipe fora de série, comprometida, empolgante. Me projetou para o mundo exterior, para uma formação em engenharia genética. Quando retornei, auxiliei na implantação de metodologias moleculares que substituíram as sorológicas no contexto de seleção de doardores para transplante, auxiliei na implantação de técnicas de congelamento de medula óssea e células tronco periféricas, até ser convidado a trabalhar no mundo privado, em importantes laboratórios de Curitiba. Nesse contexto, implantei metodologias moleculares para Investigação de paternidade, doenças infecciosas como HIV, helatite B e C, além de outras. Testes moleculares se tornaram meu cotidiano até surgir a pandemia atual.


Que alternativas a ciência já disponibiliza no sentido de promover o diagnóstico seguro?


Diversas. Metodologias moleculares nem sempre podem agradar médicos e pacientes no que se diz respeito à rapidez de diagnósticos, no entanto, atualmente com a informatização e desenvolvimento de novas técnicas que já não dependem mais de tempo excessivo em decorrência da complexidade existente no passedo próximo, os testes moleculares tendem a ganhar um pouco mais de espaço nos diagnósticos clínicos. Técnicas como PCR em tempo real, a qual permite rápida extração de ácidos nucléicos, a verificação de resultados em questão de um par de horas, traz imensos benefícios em relação à exatidão e a segurança de resultados. Exemplo disso está na própria pandemia. Em curtíssimo espaço de tempo, o novo coronavirus tinha já suas sequências genéticas integralmente circulando no meio científico, disponíveis a rápidas construções de ensaios laboratoriais para a deteção molecular da presença ou ausência do patógeno em pessoas do mundo inteiro. As técnicas de sequenciamento de próxima geração (NGS) são capazes de sequenciar atualmente o genoma humano em questão de horas ou dias e não mais em 16 anos, quando lançado o projeto genoma humano. Em nem tudo podemos ter a genética molecular presente, mas onde ela pode ser aplicada, a segurança é, sem dúvida alguma, mais garantida.



Nos fale sobre toda a operação e riscos subentendidos nela, para os profissionais que atuam nesse diagnóstico?


No início da pandemia, eu enviei um e-mail para o Ministério da Saúde solicitando uma oportunidade voluntária na China para o enfrentamento, não recebí resposta alguma, talvez acharam a idéia totalmente sem sentido. Posteriormente me volutariei no MS para participar do enfrentamento no Brasil, fiz o curso disponibilizado e não obtive maior êxito a não ser um diploma de participação. Posteriormente me voluntariei na Prefeitura Municipal de Curitiba e tampouco veio uma resposta. Inquieto e preocupado em trabalhar em meu próprio laboratório com diagnostico de Covid-19, por ter crianças pequenas em casa, entendi que muitos profissionais assim estavam fazendo e vendo muitos colegas de profissão que estão há anos próximos a mim, seja no serviço publico ou em epresas privadas de biotecnologia, tomei uma decisão com apoio de algumas pessoas, pois o equipamento para PCR em Tempo Real que usava há muitos anos parou. Um de meus amigos nos cedeu um equipamento moderno que absorveria muito bem uma demanda laboratorial. Outro amigo de muitos anos, profissional exímio em criação de sistemas de cadastramento e logística empresarial juntou-se ao trabalho, com sua esposa e desenvolveram um sistema de gerenciamento de pacientes e amostras biológicas o qual eliminou toda utilização de papéis e quaisquer outros objetos que podem ser contaminantes potenciais. O único contato é do cotonete para a coleta do material e de forma rigorosamente paramentada. Uniu-se assim à informática com a técnica molecular no diagnostico.


Que mensagem o senhor deixa para quem não usa máscaras, burla o distanciamento social e ainda ridiculariza quem o faz?



Minimizar os riscos é necessário. Os índices de contaminação de profissionais de saúde no enfrentamento é alarmante. Não é fácil estar parte de um dia encoberto de jalecos, luvas, máscaras, sapatilhas, atendendo pessoas na luta contra o virus. Há de se reconhecer que nesse momento o trabalho desses profissionais, assim como de quaisquer outros, se tornou importante. Há de se entender que o potencial pandêmico deste vírus não foi alertado a toa, por questões políticas tampouco por ideologias diversas. O vírus pode chegar a qualquer lar, a qualquer lugar devido a sua capacidade particular de se espalhar. Além de cada profissional de saúde estar cara a cara com o inimigo em seu expediente, há de se ter protocolos de saída e chegada em suas casas. O vírus pode estar de carona nesses momentos e ninguém o vê. Os cuidados são essenciais. Luvas, máscaras, higienização de mãos, de óculos, de calçados, tudo isso o tempo todo. O mundo e a vida mudaram de fato. A mensagem que deixo, é que um país onde a Ciência, a medicina, as profissões da área da saúde não são valorizadas, não chegará a ocupar espaço de importância futura. Ficar presos a contos de que há uma conspiração, de que alguém é culpado, de que o vírus foi produzido em laboratório, de apostar em drogas farmacêuticas não comprovadas é ignorar a realidade, é ignorar os fatores naturais da vida, que nos diferenciam um do outro, que nos diferenciam como humanos dos demais seres vivos. Há fatores, sim, naturais que mudam não só nós humanos, mas como também mudam as plantas, as bactérias, os vírus e tudo isso sem aviso prévio, ao acaso. Quem pretende não usar máscaras, burlar o distanciamento social e ainda ridicularizar quem o faz, nega por desconhecimento a sua verdade, a verdade de estar aqui nesse momento como testemunha ocular de um fato, que está mudando sua vida, seu destino. A descoberta da genética em minha vida profissional me fez enxergar um mundo sem diferenças, um mundo sem barreiras, sem distinção por raças, sem preconceitos. Este foi um grande exercício da minha vida profissional.


Foto: Assessoria


Dr. Carlos Alonso, é biólogo, mestre em Engenharia Genética pela Universidad de Cantabria Santander, Espanha e mestre em Genética pela UFPR.


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Sobre O DNAlab Diagnóstico molecular o perfil do laboratório está fundamentado na experiência laboratorial iniciada no ano de 1980, de seu fundador, biólogo e mestre em Engenharia Genética pela Universidad de Cantabria Santander, Espanha e mestre em Genética pela UFPR. Doze anos desta experiência foram dedicados a serviços relacionados à histocompatibilidade e seleção de doadores para Transplante de Medula Óssea no Laboratório de Histocompatibilidade do Hospital de Clínicas da UFPR.


Com uma equipe unida há mais de 15 anos, já são mais de 40.000 laudos de investigação de paternidade emitidos e mais de 100.000 perfis genéticos individuais determinados em uma estrutura laboratorial autônoma. A qualidade dos serviços proporciona ao DNAlab o prestígio, a confiança e uma relação de respeito bem consolidada com seus clientes e parceiros que ultrapassam os 25 anos de existência.




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