Escolha!

Atualizado: Jan 31

Trabalhar muito imprime tanta velocidade aos dias, que e cria a sensação de que a semana foi menor. Ironicamente, isso me aproxima mais da lembrança do fim de semana e dos instantes de folga que irei desfrutar no que está por vir. Embora ame o meu trabalho e veja nele um sentido existencial profundo, também amo o que faço durante o ócio. E é fato que folgas bem vividas turbinam a criatividade e produtividade do próprio trabalho também. Todos sabemos disso, mas a circunstância atual exige certa criatividade para viver estas pausas de forma segura e feliz.



A conjuntura que restringe a reunião de pessoas também nos impele à seleção delas. Conversas interessantes em detrimento das protocolares ou improdutivas. Destinos escolhidos a dedo em detrimento do passeio aleatório. Cardápios cuidadosos, porque eles valorizam o aconchego lar! E a casa se torna tão gostosa que suscita um vinho idem! A garrafa pode até rolar pela geladeira, enquanto a bebida se oxida e perde suas características originais. Mas a taça degustada se eterniza na memória olfativa e gustativa também!

Também temos fome de criatividade e de arte, o que torna cada filme, escultura, concerto, show, peça de teatro um bálsamo de reflexão, emoção ou relaxamento. E, mesmo que nada disso faça sentido para você, tenho certeza que todos aprendemos a exercitar a escolha de forma um pouco mais sábia, desde que a nova normalidade se estabeleceu. Cada qual, ao seu modo, abdicou de muito enquanto passou a nutrir novos poucos hábitos e prazeres. A substituição ensina muito sobre o quanto precisamos de pouca quantidade e muita qualidade para experimentarmos a plenitude e até a expansão.

Não quero banir o valor do acaso nem das boas surpresas que ele pode nos agregar, mas tempos restritos forjam critérios mais claros, escolhas mais conscientes, experiências mais ricas e intensas. Tanto assim que muitas pessoas que entrevistei falaram de reinvenção, me reportaram novas atividades e percepções de mundo também! Tudo é novo! E como é bom poder viver esta novidade! Tantos se foram sem esta possibilidade....Então, o fato de estarmos aqui é uma dádiva valiosa. Por mais que possamos ter pensado o contrário, em algum momento dos últimos meses.




Se quase cem anos separam evento semelhante da circunstância atual, o que pode ter feito com que muitos fizessem a si mesmo a pergunta de “por que logo agora?”. Sim, foi estranho ter o direito de ir e vir limitado e submetido a regras, é bizarro não poder abraçar as pessoas queridas, é cruel não poder passar nem uma data com a família, que mora longe. Mas também é um grande alívio saber que logo nos livraremos de tudo isso e, ao longo dos próximos meses talvez já tenhamos condições de reestabelecer velhos bons hábitos, agora agregados pela qualidade que a seleção do isolamento nos forçou a fazer.

Quem você quer levar consigo quando tudo isso passar?



Assim se sentiu e escreveu, com exclusividade, para a CLA Magazine, Raquel de Andrade.


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