Interior

Despertei contente com as reuniões de trabalho confirmadas para o dia. Me entusiasma a possibilidade de falar sobre o trabalho que tanto amo desenvolver para empresas e profissionais autônomos! E, com este espírito, encarei a cidade. Já não tinha a companhia do sol, o frio me cercava e se fazia sentir progressivamente mais forte, com o passar das horas. Me encolhia um pouco, para me proteger, evitando a ideia de me intimidar dentro de um agasalho. Em dias assim, preferi deixar este último para quando finalmente chegasse em casa.

Entre um par e outras de reuniões dei um jeito de também promover uma interna, para partilhar novidades e projetos com o fundador da CLA Magazine. Nossa conversa foi feliz e rendeu a bateria extra de que precisava para ajustar o cronograma de trabalho, além do pique de permanecer em minha busca, independente do sim, não ou talvez que encontrasse no caminho. Quando somos parte de um negócio precisamos gerir, antes de mais nada as emoções.


Escala de Cinzas : Cla Ribeiro

E, há uma balança interessante que nos ajuda nesse sentido. Gosto de olhar para todos os aspectos da vida, ponderar sobre eles, buscar o equilíbrio através do que enxergo de forma macro. Mas é fato que o trabalho tem um peso diferente, maior, já que vejo nele o próprio fim, a própria finalidade e não apenas um meio para conquistar algo. Entendo que meu dever me rende um grande senso de propósito e contribuição com a sociedade na qual estou inserida, para além dos frutos imediatos e individuais que colho deste exercício. Defino todos os compromissos que assumo a trabalho como identitários, portanto. Então, manter esta relação com que se faz é uma centelha de vida, para além de qualquer morte.

A “morte” de tudo aquilo que identificamos como vencido, inviável, unilateral e ilusório. Assim, sempre que algo deixa de existir ou fazer sentido em minha vida, lá está minha razão de viver, meu trabalho a me falar “Ei, estou aqui, você me tem por completo, como obra aberta, com todas as possibilidades criativas e contributivas a lhe encher a vida de sentido e entusiasmo!”

E assim, sou conduzida por dias de sol ou de frio, passando por dias nublados e incertos também. Fluo desta forma sem dar às constatações que dariam a moral vigente grande peso ou importância negativa. Então, o fato de não ter filhos humanos, marido e fortuna pouco importam. Até porque, se esses fatores fossem sinônimo de felicidade nenhuma mãe cometeria suicídio, nenhuma esposa se separaria do companheiro (eu mesma já fiz isso!) e nenhum bilionário sofreria a dor da alma.


Desfoco - Cla Ribeiro

Mas, se meu trabalho me basta tanto, de forma tão constante, profunda e essencial, por qual motivo abordo este assunto por aqui? Porque, do mesmo modo que minha missão de vida me conduz como um tanque de guerra, entendo honesto admitir e partilhar o episódio no qual nem mesmo a escrita, a minha razão de viver foi o bastante.

Depois do dia cheio de busca que descrevi para vocês, nos parágrafos anteriores, cheguei em casa e não soube lidar com o vazio que “encontrei” nela. Me senti reduzida a uma máquina de trabalhar, percebi que todas as causas que abracei me preenchem, mas não anulam a necessidade legítima de que eu também seja cuidada e não apenas cuide do que me comprometo a fazer profissionalmente.

A partir daí, senti um enorme nó na garganta, também uma necessidade de falar sobre isso quando ouvi a voz amiga ao telefone me dizer, “conte comigo, você tem a mim”. O mesmo amigo mencionou outro amigo em comum, lembrando que as pessoas de boa índole e energia se mantém próximas, antes de mais nada, para cooperarem humanamente, umas com as outras, que estamos todos interligados, para nos apoiar. De pronto, agradeci e disse a ele que o nó na garganta diminuíra. E, como ele já sabia, o simples fato de falar era o start ou começo daquilo que me desvencilha da dor. Todos os parágrafos acima me desvencilharam por completo dela! Este mérito curativo da crônica é fantástico! Mas, acho mais interessante conduzir o texto para um lugar de proveito coletivo.


Cores do Caminho: Cla Ribeiro

Sentir-me triste e vazia me fez pensar na infinidade de pessoas que lidam com isso sem encontrar a luz que eu vejo na escrita, por exemplo. O ponto é que a luz sempre existe! O sol brilha para todos! Cabe a cada um buscar o seu lugar ao sol. O que ilumina a sua alma? O que transmuta a sua dor? O que lhe faz reencontrar o propósito de existir? O que devolve a leveza depois de um momento denso? O que lhe devolve a alegria genuína de ouvir uma música, com o coração realmente feliz?

Algumas pessoas cruzam toda uma vida sem chegar a essa resposta. Mas, se você reflete comigo até aqui já temos uma vitória: uma vez que você está vivo(a) e pode empreender uma busca honesta, uma viagem para as profundezas de si mesmo, onde há de encontrar a sua razão personalíssima para viver!


Boa viagem!


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