Moraes Moreira, cantor e integrante dos Novos Baianos, nos deixa aos 72 anos

Moraes Moreira, fundador dos Novos Baianos e um dos músicos mais importantes da música brasileira, morreu aos 72 anos.


A notícia foi confirmada a imprensa pela assessoria de imprensa do grupo. O baiano morreu de infarto agudo do miocárdio em casa, no bairro da Gávea, na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde vivia.

Ao lado de Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão, Pepeu Gomes e Baby Baby do Brasil, Moreira formou os Novos Baianos em 1968, que estreou em Salvador com o show "Desembarque dos Bichos Depois do Dilúvio".

A estreia do grupo em disco aconteceu em 1970, com o álbum "É Ferro na Boneca", que apresentou uma nova estética musical brasileira, a do pós-tropicalismo, que empregava elementos de nossos ritmos, como o samba e a bossa nova, e os misturava fortemente com os das contraculturas americana e inglesa, incluindo o psicodelismo e o uso de guitarras elétricas.





Nos Novos Baianos, compondo principalmente com Luiz Galvão, Moraes Moreira revolucionou a música brasileira, ganhando respeito de seus pares, ao mostrar que não havia limites para misturas. Rodas de samba poderiam conviver com o rock. O frevo e a chamada MPB não eram incompatíveis. Baião e choro passariam a ser ritmos irmãos.

Na base do sincretismo sonoro, o grupo ficou na ativa, originalmente, entre 1969 e 1975, quando lançou discos históricos como "Acabou Chorare", eleito pela revista "Rolling Stone" em 2007 o melhor álbum brasileiro de todos os tempos, "Novos Baianos F.C." e "Vamos pro Mundo", que deram forma musical ao espírito coletivista dos integrantes. Na época, eles chegaram a morar juntos em um sítio em Jacarepaguá, zona oeste do Rio.

É impressionante, mas em cinco minutos de convívio, me senti voltando aos anos 1970. É a mesma energia que percorre nossos corpos, as mesmas gargalhadas. É um reencontro verdadeiro, de amigos que se amam e que sentem prazer em tocar juntos

Moraes Moreira em entrevista ao UOL, em 2016


Voz crítica


Antes do início da pandemia do novo coronavírus, o músico, que tem mais de 40 discos gravados, vinha preparando um novo projeto de inéditas. No início do ano, surpreendeu ao admitir que estava cansado de tocar alguns dos clássicos dos Novos Baianos.

Há duas semanas, ele voltou aos noticiários ao alfinetar a parceira Baby pelas críticas ao musical "Novos Baianos", dirigido por Otávio Mullerque e que conta a história do grupo com toques de ficção, o que dividiu a opinião dos integrantes:

Baby queria que não dissesse que fumou maconha, que tomou ácido, que fez tudo. João Gilberto deve estar se mexendo na sepultura, porque o nosso grupo fumou, sim, tomou ácido, sim, fez músicas maravilhosas em estado de fumar maconha sim. A gente fazia música inclusive para ela


Fonte: UOL


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