Paraná para amar - Edição Especial Pantanal





Esta é uma coluna dedicada às iniciativas construtivas, realizadas no Paraná. Contudo, a situação do Pantanal é tão séria que - excepcionalmente nesta edição – cedemos espaço para repercutir uma campanha de muito valor, destinada a cuidar da fauna pantaneira. Todo o time da CLA Magazine é sensível à causa animal e ambiental, o que torna esta edição muito especial para nós!

Espero oferecer novos horizontes, mantendo o foco nas soluções e informação contextualizada.

Grande abraço,

Raquel de Andrade.


Associação Brasiliera de Zootecnistas

Socorro para fauna pantaneira

O ativista ambiental Bernardo Pedro Nadal organiza expedição para tratar da fauna pantaneira, atingida pelas queimadas sem precedentes na região, tanto assim que uma área equivalente maior que o estado de Alagoas e igual ao território da Bélgica ou Israel já foi perdida. O grupo de voluntários independentes usa recursos próprios, para levar medicamentos, câmeras de monitoramentos e demais insumos capazes de curar ou melhorar a sobrevida dos animais feridos. Dentre esses, há algumas espécies ameaçadas de extinção, como é o caso da onça pintada, arara azul, ariranha, tuiuiu, lobo guará. Os interessados em contribuir com a causa podem doar qualquer valor por meio do Banco 260, Nu Pagamentos S.A., AG: 001, CC: 7621535-8, CPF: 133.963.437-60. “Priorizamos medicamentos e tudo voltado para o socorro dos animais. Por isso, ainda precisamos de recursos para a alimentação da equipe, equipamentos de proteção individual, que precisam incluir perneiras, para proteger de picada de cobra”, explica Nadal.

Efeito sistêmico


Associação Brasileira de Zootecnistas

Para quem acha que as queimadas recentes são um problema isolado, cabe esclarecer que não. Os fenômenos naturais não são isolados, eles estão interligados. Então, a gente precisa entender que as queimadas no pantanal não são um fenômeno ambiental isolado no Brasil.

As queimadas e desmatamento na Amazônia intensificado, desde o ano passado, pode ter contribuído para o que ocorre agora. Como?

A umidade que deveria vir da região Amazônica, trazida pela mEc (massa Equatorial Continental), durante o verão (época de atuação da mEc), está reduzida, com isso aumenta a estiagem na região do Pantanal e há o favorecimento a disseminação dos focos de incêndios.

Claro que esses incêndios podem ser criminosos, também. A falta de uma forte política e fiscalização ambiental, favorece a ação dos criminosos. As pessoas ateiam fogo nas matas, para que possam transformar áreas de floresta e/ ou reservas naturais em pastos e monoculturas.


Associação Brasileira de Zootecnistas

O inverno é uma época de pouca chuva, ou seja, um período naturalmente de baixa umidade do ar, favorecendo que a vegetação fique mais seca e com maior chance de incêndios.

Quais os impactos disso, então?

Tudo que acontece em uma determinada área do Brasil, vai ser sentido em algumas outras áreas do país, devido às dinâmicas naturais.

Com a mudança no regime de chuva, pela falta de umidade vinda da Amazônia, através dos chamados Rios Voadores, há a influência direta na quantidade de água que infiltra e abastece os reservatórios subterrâneos. Se há menos umidade no ar, tem menos chuva. Se há menos chuva, temos menos água disponível.

O fato de a queimada atingir diretamente a vegetação, torna o impacto ainda maior.

A perda da vegetação que compõe o bioma, faz com que haja uma diminuição da infiltração da água no solo, interferindo na quantidade e qualidade das nascentes. Consequentemente, na quantidade de água na Bacia do Rio Paraguai. Não podemos esquecer que o Rio Paraguai é o principal rio da região do Pantanal, mas ele é alimentado por uma série de afluentes que só se mantém por conta do equilíbrio desse sistema todo integrado.


Associação Brasileira de Zootecnistas

Se a vegetação se perde, há a diminuição da infiltração, e isso leva a um impacto direto nas nascentes, que são protegidas pela vegetação. Quando há a redução do abastecimento dos aquíferos subterrâneos há também consequente redução das nascentes. Sem falar que, se temos menos água disponível, ocorre também uma diminuição da evaporação dessa água, o mesmo que ocorre na Amazônia, diminuindo a umidade relativa do ar.

A outra consequência é a fumaça tóxica das queimadas do Pantanal, que por conta da dinâmica atmosférica são deslocadas para outras áreas do Brasil, provocando dentre outros danos, a chuva ácida. A consequência disso é uma queda da qualidade do ar, contaminação de solos e água (subterrânea e de superfície), prejuízos nas plantações, danos à vida aquática devido a contaminação das águas. Isso sem falar nas questões relacionadas a saúde humana, problemas respiratórios, doenças de pele.

Por conta da dinâmica atmosférica, fenômenos ambientais danosos podem ser sentidos em outras áreas distantes (dependendo da massa de ar que esteja atuando, do regime de ventos) e não na área de ocorrência dos incêndios.

O que aconteceu no estado de Santa Catarina, semana passada, com a ocorrência de uma chuva “preta”, é resultado do impacto direto das queimadas no Pantanal, que tiveram suas fumaças transportadas pelo ar (intensificadas pela frente fria que chegou), sentido na região Sul do Brasil, deixando claro que um fenômeno que acontece em determinada área, vai atingir outras áreas também.

Parecer de Luiza Aguiar, Geografa e professora de geografia e meio ambiente, especialista em gerenciamento socioambiental pela COPPE/UFRJ, mestre em Ensino de Ciências com ênfase em Educação Ambiental pelo Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ)


Associação Brasileira de Zootecnistas


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