Responsabilidade

Me aproximava do momento em que “me encontro comigo” e calo todos os sons para “ me ouvir”. Me desconecto de tudo, de todos, desligo qualquer aparelho, calo a música, para entrar neste terreno da escrita. Ela é espelho do que sentimos, em retrospecto. Uma espécie de retrovisor existencial, que cruza aquilo que é vivido, com o que é sentido, vislumbrado, desejado e tudo o que acontece no mundo e ressoa em mim. Neste momento, sinto alegria e esperança por ver um número crescente de pessoas sendo imunizadas!

Mas, além das muitas que precisarão aguardar pela vacina, há também os que sucumbem, os que se convalescem e os que agem como se nada estivesse acontecendo, ao relativizar máscaras, por exemplo. E, para completar, nos aproximamos do Carnaval. A festa marcada pela reunião de pessoas vem aí! Fato que ela faz parte da identidade brasileira, assim como também é fato que precisaremos sacrificá-la, para viver muitos outros Carnavais, quando tudo isso passar! Até mesmo cidades como o Rio de Janeiro, cuja economia é - em parte – movida pelo Carnaval, já acolheu esta realidade.

Então, o que custa ao resto do mundo fazer o mesmo? Não creio que sacrificar a aglomeração de blocos vá comprometer nossa alegria. Acredito que qualquer pessoa minimamente inteligente vai lidar com essa restrição numa boa. Desafiador mesmo vai ser suspender o churrasco “da família”, porque este é um tipo de evento que cria a ilusão de controle, quando – na verdade – promove alastramento da doença, já que interagir sem máscara é um benefício restrito aos que já moravam juntos antes da pandemia começar e, nem mesmo os churrascos de família respeitam esta regra. Basta dizer, que uma situação bem mais simples ocasionou a morte da atriz Nicete Bruno, por exemplo. A veterana estava na paz de sua casa quando foi visitada por um parente doente. Isso foi o suficiente para que ela contraísse a doença e morresse.

Imaginem o que pode acontecer durante uma “reuniãozinha de família”? Todos já sabem! O que determina o resultado é um único sentimento: responsabilidade ou a falta dela. Nem vou entrar, aqui, no mérito do amor. Porque, quando ele realmente existe, o interesse efetivo no bem estar de quem amamos chega na frente, para proteger as pessoas amadas, queridas ou por quem prezamos minimamente de qualquer risco. Mas, vamos falar do básico, da responsabilidade.

Agir de forma responsável significa entender que a própria atitude impacta em quem está ao nosso redor e assumir o compromisso de resolver o problema, quando ele acontece. Então, eu lhe pergunto: o que você faria se descobrisse que contagiou alguém - mesmo assintomático?



Por mais responsável que você seja, não terá qualquer condição de cuidar desta pessoa, simplesmente porque estará cuidado de si próprio. Já experimentei o covid-19 e posso afirmar que, mesmo quando os sintomas são brandos, ficamos debilitados pela doença. Então, mesmo quando “tudo acaba bem”, muita gente pode ser dar mal por adoecer! Afinal, cada um tem seu próprio sistema imunológico, condição de saúde, idade e cotidiano.

Se, para uma pessoa jovem e sem qualquer doença pré-existente lidar com este vírus é uma loteria pensem no que pode acontecer com um parente com mais de 60 anos? Com alguém que mora só? Com alguém que tem crianças para cuidar? Com quem não tem dinheiro suficiente nem para bancar um teste de detecção rápida? Com os que não tem plano de saúde? Se colocar no lugar dos outros é preciso! Pois nem todos tem os benefícios de que nós usufruímos.

E, na hipótese de você ter dinheiro para custear todos os cuidados de todos os que adoecerem, se você estiver assintomático enquanto transmite o vírus, a sua consciência pode não suportar caso alguma delas venha a ter sequelas ou mesmo a falecer!

Pense nisso e reveja o churrasquinho da família! A vida de qualquer pessoa vale mais que a necessidade de se confraternizar com elas! A sua paz de espírito também!


Assim se sentiu e escreveu, com exclusividade, para a CLA Magazine, Raquel de Andrade


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