Sua ou dos outros?




O sol anunciava um dia seco e dourado! Torcia para que o fim de semana perdurasse assim, porque mal via a hora de experimentar todas as técnicas que criou ou depreendeu de outros, na pintura sobre tela. Este exercício fluía tão facilmente que chegava a me ressentir sobre o tempo dedicado exclusivamente a outros suportes ou materiais, muito em parte pelo medo de não conseguir pintar sobre tela, com tintas e instrumentos menos óbvios e de manejo mais complexo. Mais uma vez, o medo se revelava restritivo e até sabotador do desenvolvimento.

Mas quando nos livramos dele permitimos outras possibilidades por tabela. Se publicar reels era um tabu, ele também caiu, por exemplo. Óbvio que os métodos e resultados são incipientes e só começam a ser testados, mas o importante é se lançar e vislumbrar novos horizontes! O mesmo sentimento de medo também tem origem em outro, que é a busca pela segurança. Como ela é ilusória! Obcecada por segurança a humanidade chega a retroagir. Permanece em relações tóxicas ou nulas, por medo de se lançar ao risco de lidar com o que é desconhecido, inclusive o de encontrar algo de mais sentido fora do modelo convenção e posse!

Motivada pela mesma razão, as pessoas simplesmente deixam de explorar seu potencial criativo plenamente, sem entender que isto o resultado disto é matar boa parte da vida que há em cada um de nós! Porque expandimos e multiplicamos nossa essência ao criar – seja um prato novo, uma obra de arte ou uma forma diferente de ver e viver a vida! Importa menos o que e mais o como, neste caso! O importante mesmo é “sair do lugar” que limita e empobrece a alma, por apego às convenções e medo do que se vai encontrar fora delas.

Quando esta ficha cai de forma mais profunda as experimentações vira um exercício permanente! Usar o cabelo de outra maneira, fazer uma maquiagem diferente, provar o vinho de uma uva que antes era evitada. Afinal, o sabor agradável só depende da harmonização certa! Lembro, inclusive, de um vinho que não me disse nada com todos os pratos experimentados de primeira, mas me levou ao nirvana diante de uma torrada amanteigada, feita às pressas e de forma improvisada. O que este exemplo ensina? É preciso manter a mente aberta e disposta a explorar o recurso de tentativa e erro, sem cansaço ou paradigmas!