Você tem fome de quê?




Por toda a vida vi pessoas sem útero se metendo em uma questão na qual a mulher é mandatária. Dar continuidade a uma gestação deveria ser uma escolha individual da mulher, já que é ela quem gesta, amamenta e sobre quem recaem responsabilidades vitalícias quanto ao filho. Contudo, esta constatação tem sua importância diminuída, o que só aumenta o imbróglio quanto ao aborto, ao invés de criar soluções para a questão. Eu jamais faria um, mas não julgo quem recorreu a isso, até porque eu nunca me prontifiquei a criar filho de ninguém! Simples assim, mesmo considerando a delicadeza da questão. Depois de quase quatro décadas testemunhando esta polémica, vejo coisa pior ocorrer agora, em plena pandemia, quando o prefeito de Curitiba Rafael Greca se sente confortável em punir quem doa alimentos a quem tem fome...

Tanto Greca quanto os apoiadores da medida tem alimento na geladeira de casa. Fato que, de saída, inviabiliza qualquer interferência sobre a doação de comida a quem precisa, ainda mais diante da miséria que se multiplica em função de tantas restrições impostas pelo covid-19! Por isso, até uma criança consegue enxergar que por traz deste movimento há a vontade de turbinar os números em torno do projeto oficial “Mesa Solidária”, coisa que seria legítima se não existisse às custas de tantas regras restritivas para instituições e pessoas que doam alimentos aos moradores de rua e pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Me parece óbvio que qualquer governo tem mais é de dar graças a Deus quando pessoas e instituições o ajudam a fazer aquilo que ele não consegue na quantidade suficiente para que nem se veja mais indigência pedinde na rua! É DESUMANO inventar marco regulatório para doação de comida, em um estado no qual cada vez mais pessoas subsistem com apenas três reais por dia! Ao invés disto poderia e deveria se incumbir de facilitar tudo o que remedia e trata esta situação! Mas Greca prefere complicá-la, como se a raíz do problema fosse a indigência, e a não a falta de vacinas em um ritmo capaz de controlar a pandemia! Talvez esse movimento satisfaça aqueles que alimentam a o ordenamento mesmo quando este exige o absurdo.

Aliás, pessoas que vivem em outras cidades chegaram a printar e me enviar notícias que repercutiam a medida e me perguntaram se se tratava de um meme. Porque a coisa recai em qualquer um com algum discernimento como algo bizarro, para dizer o mínimo!!! Eu considero a medida perversa mesmo! E não é a primeira vez que sinto coisa parecida...Já que, às vésperas do último Natal, lidei com outra notícia controversa. A mesma autoridade esvaziou uma ocupação composta por diversas famílias, algumas das quais com crianças autistas. A soma dos dois episódios me indispõem a lidar com postagens religiosas publicadas pelo mesmo prefeito, nas redes sociais....

Entendo que Deus seria muito mais misericordioso e não deve gostar nem um pouquinho de quem se vale dos seus mandamentos e para tentar sustentar

imagem de bom moço, enquanto age sem dó nem piedade. Nem vamos falar aqui de ternura, porque esta realmente não se harmoniza com nenhuma das medidas comentadas por aqui. Mas, enquanto existir vida é preciso pensar em humanidade. Você a mantém mesmo quando precisa ser impopular em suas escolhas?

Boa Páscoa!


Assim se sentiu e escreveu, com exclusividade para CLA Magazine, Raquel de Andrade.


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